Na reunião do GT Pioneiras, contamos com a participação de José Victor Sousa, da Vale, em uma conversa técnica sobre o 2º Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade da companhia, elaborado com base nas normas IFRS S1 e S2 / CBPS 01 e 02.
O encontro discutiu os principais aprendizados da Vale entre o primeiro e o segundo ciclo de reporte. Um dos pontos centrais foi a evolução do escopo: enquanto o primeiro relatório utilizou o alívio de transição com foco em clima, o segundo passou a incorporar outros riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade considerados materiais para a companhia.
Ao longo da reunião, destacaram-se:
– a importância de tratar o relatório como parte da estratégia de negócio, e não apenas como exercício de conformidade;
– a evolução dos processos internos de coleta de dados, revisão, documentação, interação com auditores e governança;
– o uso da matriz integrada de riscos da companhia como ponto de partida para identificação e avaliação dos riscos materiais relacionados à sustentabilidade;
– a conexão entre oportunidades de sustentabilidade e o planejamento estratégico, incluindo temas como transição para uma economia de baixo carbono e circularidade;
– o uso do SASB Metals & Mining como referência setorial para organizar temas, riscos e métricas relevantes;
– a necessidade de documentar julgamentos técnicos por meio de memorandos, especialmente em temas sujeitos a incerteza, avaliação qualitativa e materialidade;
– os desafios de equilibrar transparência, neutralidade e proteção de informações sensíveis, especialmente em temas como barragens, segurança operacional, licença social para operar e estimativas financeiras prospectivas;
– a evolução da governança de dados, dos controles internos e das trilhas de auditoria entre os ciclos de reporte;
– a preparação para uma asseguração mais robusta, com maior formalização de processos, matriz de controles e antecipação das demandas de auditoria;
– a relevância da conectividade entre informações de sustentabilidade, orçamento, planejamento estratégico, matriz de riscos, demonstrações financeiras e processos decisórios da companhia;
– e a recomendação para que outras empresas comecem a jornada o quanto antes, mesmo reconhecendo que os primeiros relatórios estarão sujeitos a aprendizado, aprimoramento e evolução contínua.
A conversa reforçou que a implementação das normas IFRS S1 e S2 / CBPS 01 e 02 exige mais do que a elaboração de um novo relatório. Ela demanda integração entre áreas, fortalecimento de controles, documentação de julgamentos e maior conexão entre sustentabilidade, riscos, finanças, contabilidade, estratégia e governança.
Na parte final da reunião, também foram apresentados pontos de alinhamento conceitual a partir da análise de mais de 200 perguntas recebidas previamente dos participantes, incluindo:
– a relação entre IFRS S1 e S2
– confusões sobre materalidade
– o uso de informações qualitativas e quantitativas
– conectividade com demonstrações financeiras
– o papel da asseguração no fortalecimento da confiabilidade das informações.
Clique aqui e acesse a apresentação do alinhamento conceitual.
A reunião foi especialmente útil para profissionais de sustentabilidade, finanças, contabilidade, auditoria, RI, governança, controles internos e gestão de riscos que estão se preparando para os próximos ciclos de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade no Brasil.